sábado, 30 de agosto de 2008

Na Bienal


Aí vai um retrato de minha participação na 20.a Bienal Internacional do Livro, de São Paulo. Foi tirada no dia 23 de agosto de 2008.

Com um notebook, fiz demonstrações do meu programa Como escrever um best-seller em 3 minutos. Em breve lançarei no YouTube um vídeo com essa demonstração, que não pôde ser realizada na Bienal em razão do barulho no local.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Competir ou vencer? Os dois


Na época de Olimpíadas, costumo ouvir a seguinte crítica: se o Barão de Coubertin, criador dos Jogos Olímpicos da era moderna, afirmou que "o importante é competir", por que o quadro de medalhas privilegia o número de ouros conquistados por cada país, em detrimento do total de medalhas?

A colocação é legítima, porém não vejo contradição.

Em primeiro lugar, estamos interpretando que o Barão quis dizer "o importante é competir, não necessariamente vencer". Ou "o importante é participar". Mas será que foi essa a intenção dele? Veja que "competir" significa... "competir", e não "participar".

Mas vamos admitir que de fato o Barão pretendia falar da participação mesmo, ou seja, vamos concordar com o entendimento comum da frase. Ainda assim, não vejo contradição.

A graça de jogos e esportes é a competição. O que faz qualquer atleta treinar intensamente é a busca de render pelo menos um pouquinho mais do que todos os adversários. O que atrai multidões de torcedores é o desejo de ver seus compatriotas superarem os atletas de outros países. Tentando expressar de forma sucinta: a busca da vitória é inerente ao esporte, e é esse espírito que permite reunir os competidores.

Sendo assim, o ouro é incomparavelmente superior às outras medalhas.

Sem contradição com isso, vejo o Barão querendo dizer que a tentativa e a luta são importantes. O importante é participar, e participar significa acreditar: acreditar que se tenha potencial, acreditar que se tenha "garra", acreditar que se tenha instinto de vencedor. Perdeu? Mas acreditou, e com isso cresceu muito mais do que se tivesse simplesmente se acomodado na simples crença da inferioridade.

Além disso, se for para levarmos ao pé da letra o questionamento de que duas pratas deveriam "valer" mais do que um ouro, e dois bronzes mais do que uma prata, então teríamos que dizer que dois quartos lugares valem mais do que um bronze, que dois quintos valem mais do que um quarto. Nesse caso, não precisaria de quadro de medalhas: bastaria considerar campeão o país que enviou a maior quantidade de equipes ou atletas.

sábado, 2 de agosto de 2008

Um oceano de plástico

Recebi uma matéria que me deixou chocado e entristecido. Temos certa noção da poluição causada pelo lixo que deveria ser reciclado, mas nunca imaginei algo dessa dimensão.

Vejam este pdf de 3 páginas com relatos, fotos e mapas. Você encontra também a citação das fontes.

Além de fazer nossa própra reciclagem de lixo, devemos ensinar aos "desatentos" a importância de reciclar esses materiais. Não brigue com um ignorante: a retórica demonstra que isso somente o fará defender-se e se aferrar ainda mais a seus preconceitos. Não é o ignorante que deve ser combatido, mas a ignorância. Esse texto é um ótimo passo para isso.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Como fazer a Paz

Mulheres judias e muçulmanas resolveram se organizar para, num encontro periódico, fazer doces e conversar sobre qualquer assunto, exceto o conflito entre Israel e Palestina. As "Construtoras da Paz" são da França.

Essa ação é perfeita. Não importam as questões objetivamente políticas. O que mantêm conflitos desse tipo por tanto tempo é uma base cultural que está mais nas pessoas do que nas instituições, o que fica bem claro quando a criadora desse grupo diz que a hostilidade dos grupos é alimentada por "franceses judeus pensando que são israelenses e franceses muçulmanos pensando que são palestinos".

Acredito na eficácia dessa iniciativa pela paz. Veja a notícia completa.

E quero complementar sugerindo a todos que conheçam essa apresentação imperdível (em Power Point), que explica sucintamente o conflito e propõe uma solução simples e sensata. Para ver, discutir, mostrar aos amigos, alunos, etc.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Não haverá mais livros raros

Esta notícia do Diário Digital, de Portugal, é muito boa para quem ainda critica o mundo digital (e provavelmente nem deve estar lendo este blog...).

Felizmente, está acabando o "encanto" das obras raras, protegidas por vidros grossos ou escondidas em porões. Cerca de 600 livros da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra serão digitalizados pelo Google. Você poderá lê-los dentro de sua casa.

Eu disse "pelo Google". Trata-se de iniciativa privada. Não há custos públicos para Portugal.

Este é apenas um exemplo de digitalização de livros antigos, aos quais não se aplicam mais direitos autorais. Porém podemos tentar imaginar como seria um mundo dos livros digitalizados, incluindo lançamentos, sem ferir os direitos do autor ganhar com seu trabalho.

Uma idéia: empresas como a Google seriam "editoras digitais", que pagariam aos escritores de acordo com anúncios acessados, relacionados à pesquisa e exibição de suas obras. Os autores populares continuariam ganhando muito, e todos os demais também teriam sua chance.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Dicionário gratuito e a "palavra do dia"

O Houaiss e o Aurélio, em suas formas digitais, são dicionários de grande qualidade. Porém têm um cu$to, enquanto o Aulete Digital é gratuito.

O Aulete está sempre atualizado, pois acessa a internet para buscar os verbetes. Por isso, se você tem mais de 30 anos, como eu, e não entende algumas gírias, usá-lo pode ser mais útil. Por exemplo, da hora e é dez você encontra no Aulete, mas não no Houaiss...

Além disso, ao se cadastrar para instalar o Aulete Digital, você passa a receber diariamente em seu e-mail a interessante "Palavra do dia". O editor desse breve newsletter apanha do noticiário um termo em evidência e faz um comentário sobre sua origem. No final, acrescenta a definição dada pelo Aulete. Colo abaixo três palavras que chegaram esses dias.

XADOR (xa.dor)
Uma pesquisa recente na Indonésia, maior nação islâmica do mundo, mostrou que mais da metade da população do país é contrária a obrigatoriedade do uso do xador pelas mulheres, que é recomendado pelo livro sagrado da religião muçulmana. A palavra"xador" tem sua origem do idioma persa, da palavra "chaddar", que tem como variação "chador". Segundo a definição do dicionário Aulete Digital, o xador é uma vestimenta feminina, geralmente negra, que cobre todo o corpo exceto parte do rosto, que se utiliza em alguns países mulçumanos.

DOGMA (dog.ma)
Na ultima semana, a Igreja Anglicana, que tem mais de 70 milhões de seguidores em todo mundo, aprovou, após diversas divergências, a ordenação de mulheres bispos, rompendo assim um dos mais antigos dogmas desta igreja.
A palavra "dogma", de origem grega, diferente do que muitos pensam, não tem origem religiosa. Antes mesmo do cristianismo, já era usada na política, tanto no grego como no latim, com significado de "decreto de alguém com autoridade superior". Posteriormente as igrejas adotam o termo para designar uma verdade incontestável da doutrina e da moral e ponto básico da fé.

GREVE (gre.ve)
A greve dos Correios já dura mais de duas semanas, causando transtornos a toda a população, com diversos atrasos na entrega de encomendas, contas e correspondências em geral. A palavra "greve" vem do francês 'grève' (faixa de areia ou cascalho à margem do mar ou de um rio). Sobre a origem da expressão, entende-se que, em Paris, os trabalhadores e desempregados costumavam se reunir numa praça à beira do Sena, perto da Prefeitura, chamada 'Place de la Grève'. 'Faire grève' ("fazer grève") inicialmente significava se reunir na praça para fazer reivindicações ou pedir mais empregos, até que, em 1805, a palavra ganhou o sentido de "paralisação voluntária e coletiva do trabalho", que persiste até hoje.
A palavra originou ainda algumas expressões como "greve de fome", que significa o ato de não se alimentar em nome de um protesto ou revindicação. Também temos a expressão "greve de braços cruzados", onde a paralisação se dá no local de trabalho.

sábado, 19 de julho de 2008

1, 2, 3: contar talvez não seja inerente à linguagem

Notícia vinda da BBC, neste link.

A língua falada por uma tribo amazônica que não tem palavras para designar números contradiz a noção de que o ato de contar seria inerente à capacidade cognitiva de seres humanos, afirma um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusets (MIT).

A língua da tribo Pirahã, que vive às margens do rio Maici, em Rondônia, vem sendo estudada há vários anos por suas características singulares.

No estudo recente, publicado na revista científica Cognition, o professor Edward Gibson afirma que os Pirahã não têm palavras para expressar o conceito de "um" ou de outros números específicos.

Segundo a pesquisa, a tribo teria apenas expressões para designar quantidades relativas, como "muitas", "poucas" ou "algumas".

De acordo com Gibson, é comum assumir que contar é uma parte inata da capacidade cognitiva humana, mas "aqui está um grupo que não conta.

Eles poderiam aprender, mas não é útil em sua cultura, então eles nunca aprenderam".

"A pesquisa oferece provas de que as palavras que designam números são um conceito inventado pelas culturas humanas conforme a necessidade e não uma parte inerente da linguagem", disse Gibson.

Experimento
A pesquisa partiu de um estudo publicado em 2005 pelo lingüista Dan Everett, que viveu com os índios Pirahã entre 1997 e 2007.

A pesquisa de Everett dizia que a tribo tinha palavras para expressar a quantidade "um", "dois" e "alguns".

Gibson, no entanto, fez um experimento no qual a equipe apresentava um objeto ao índio e adicionava um novo objeto de cada vez até completarem 10.

Durante o processo, os pesquisadores pediam para que os índios contassem quantos objetos estavam expostos.

A equipe observou que a palavra que anteriormente foi identificada como se representasse o número "um" foi usada pelos Pirahã para expressar qualquer quantidade entre um e quatro.

Além disso, a palavra antes associada ao número "dois" foi usada pelos índios quando cinco ou seis objetos estavam expostos.

"Essas não são palavras para contar números. Elas significam quantidades relativas", afirmou Gibson.

Segundo ele, essa estratégia de contagem não havia sido observada antes, mas poderia ser encontrada em outras línguas na qual se usam as palavras um, dois e alguns para se contar.

A pesquisa de Gibson faz parte de um amplo projeto que investiga a relação entre a cultura da tribo Pirahã com sua cognição e linguagem, com base nos estudos do lingüista Dan Everett.