Homem se mata após receber coração de suicida
Eu estou perfeitamente preparado para não acreditar nesta história.
A notícia é um pouco antiga (mais de 2 anos), mas o link ainda funciona.
Está bem: eu acredito, sim.
Blog de Paulo Santoro
Eu estou perfeitamente preparado para não acreditar nesta história.
A notícia é um pouco antiga (mais de 2 anos), mas o link ainda funciona.
Está bem: eu acredito, sim.
Na semana passada – 4 de julho – fui ao Comitê Club, na rua Augusta, e assisti a uma apresentação de Dona Ivone Lara.
Sinceramente não esperava que ainda veria ao vivo essa ótima compositora. Ela tem 89 anos. E foi bem aqui perto de casa, no centro do Túmulo do Samba.
Distraído ou inculto, eu achava que era uma de suas últimas gravações o mp3 que tenho aqui comigo, em que ela interpreta Alguém me avisou com Caetano Veloso em um show de uns 20 anos atrás.
Mas pelo jeito ela está por aí: entra no palco com o corpo frágil, auxiliada pelo pessoal do DNA do Samba, ajeita-se numa poltrona de onde cantará todas as músicas, e então interpreta com firmeza suas canções mais conhecidas.
Agradeço muito à amiga Valentina, italiana já cheia de samba, pelo convite para seu aniversário, comemorado nessa casa.
Em 2006, a França jogou melhor e mereceu ganhar do Brasil.
Infelizmente, em 2010, acredito que a Holanda não fez de fato um jogo melhor. Escapou por pouco de o Brasil ter liquidado no 1.o tempo, contou com uma falha incrível para empatar — e apoiou-se no nervosismo que essa falha provocou no Brasil.
Ao longo de 3 anos e meio, Dunga fez um ótimo trabalho, ganhando a Copa América, a Copa das Confederações e as Eliminatórias. Esses feitos costumam parecer sem importância em contraste com uma derrota na Copa do Mundo, mas lembremos que Pelé e toda a sua geração nunca conquistou uma Copa América.
Não adianta ficar com “explicacionismo”, porque o Brasil bem poderia ter vencido o jogo. E vinha tendo um desempenho bom na competição.
Mas desde o princípio estranhei o nervosismo e a irritação do time. Nos primeiros minutos já era possível ver Robinho bufando pra lá e pra cá. Isso numa Copa em que Kaká já havia perdido a cabeça. Michel Bastos ficou perto do vermelho, que saiu para Felipe Melo.
Seria um reflexo da postura de seu treinador?
O que me parece é que 2006-2010 foram Copas do “8 ou 80” para o Brasil. Com Parreira, era o oba-oba do “quarteto mágico”, o bacanal da imprensa na concentração, todos felizes — até vir o desempenho pífio, em especial de Ronaldinho Gaúcho, e a eliminação.
Aí entrou Dunga para fazer “tudo diferente”. Foi do 8 para o 80, ou vice-versa. Time de mais marcação, guerra total contra a imprensa, festival de carrancas. Sempre muito eficiente, mas que na hora do aperto não teve o jogo de cintura para suportar o próprio erro. Entrou numa loucura da autocrítica.
Em 2014, sediando a Copa, terá um grande peso, a grande obrigação de ganhar: depois de 2 fracassos seguidos, jogando em casa, onde perdeu em 1950 — única dentre as campeãs que não tem um título atuando no seu próprio país.
Espero que seja uma seleção mais equilibrada. No futebol e na cabeça.
Dunga errou?
Todos cometem erros. O campeão de 2010 será um treinador que cometeu erros.
Mas o erro de Dunga — que poderia ter passado em branco, mas acabou sendo crítico — foi a ausência de pelo menos mais um jogador habilidoso para o meio de campo.
Ele estava certíssimo ao defender sua convocação, dizendo que tinha chamado jogadores vitoriosos, que cumpriram seu papel quando foram chamados, agarraram a chance.
Por uma infelicidade, Ronaldinho Gaúcho foi um dos jogadores que não agarraram essa chance inicialmente. Porém ele se recuperou e já estava jogando muito bem pelo clube fazia um tempo. Excelente jogador, experiente, com a vantagem de ter sido um grande nome da conquista de 2002 e uma grande decepção em 2006. Como o Ronaldo da Copa Japão/Coreia, poderia entrar com fome de se redimir.
Não, não era Ganso, nem Neymar. Era o Ronaldinho Gaúcho que poderia ter estourado nesta Copa.
Mas não aconteceu.
Logo após o pronunciamento oficial da Globo - repetido ipsis litteris no SporTV - o Twitter foi invadido por uma enxurrada de "Cala boca Tadeu Schmidt", que foi o locutor anti-Dunga no Fantástico. Claro que gente do Twitter não representa o povo inteiro, mas já dá pra ver que nem todos estão do lado da Globo.
Dunga é antipático? Pode ser. Tem jornalista o criticando por certo "revanchismo". Dizem que até ao pôr a mão na taça, em 94, ele mais xingou os críticos do que comemorou positivamente. Mas será que é revanchismo simplesmente?
Pra mim, não. Dunga tem mesmo um trabalho coerente, como ele gosta de dizer. E jornalismo esportivo é o que existe de mais incoerente.
Um que denuncia isso é o Tostão. Na última vez que li, Tostão lembrou a cabeçada na trave do Santo André, no último minuto da decisão do Paulista. Segundo ele, se aquela bola entrasse - e não entrou por um mínimo detalhe -, todos estariam dizendo que o técnico do Santos foi frouxo ao deixar o Ganso em campo, que o Ganso foi irresponsável, e os pedidos para que ele e Neymar fossem convocados praticamente desapareceriam. Como discordar?
Quando, depois do jogo contra a Coreia do Norte, jornalistas elogiaram Robinho, Dunga ironizou: "um ano atrás vocês diziam que o Robinho não servia, agora ele é o melhor?". Crítica perfeita.
Anos atrás, quando surgiu a geração anterior dos "Meninos da Vila", com o próprio Robinho, Elano era um dos destaques. Depois ficou meio em baixa na carreira, mas foi chamado por Dunga e sempre foi bem. Mesmo assim, tinha gente até torcendo pra ele se machucar. Tinha gente que queria cortar Elano para pôr a aposta Ganso.
Mas o que vimos em 2 jogos? Um Elano muito eficiente, um grande nome para o time: desarma muito, passa bem, bate as bolas paradas - e ainda marcou 2 gols dignos de bons atacantes, fugindo da marcação antecipando em velocidade para finalizar com precisão. O que mais precisa?
E o Dunga inventou o Elano? Não. Ele já havia marcado gols contra Argentina, Itália e Portugal. Por que os jornalistas não informam?
O jornalismo esportivo é preguiçoso e incompetente. É só lugar-comum que a gente ouve.
Neste episódio, Dunga sussurrou "palavrões" que na hora eu nem entendi. A Globo é que amplificou. E está criticando Dunga como se ele tivesse feito uma ofensa direta.
Imprensa critica. Mas não aceita críticas?
Para terminar, digo com coerência: Dunga está fazendo um excelente trabalho, que não deixará de ser excelente caso a taça não venha para nós. Ou será que cada campeonato só tem um técnico bom - aquele que foi campeão?
Não importa o jogo de cena de quem, por interesses de patrocínio, acusa ou defende a bola do mundial da África. Depois de assistir a todos os 16 jogos da primeira rodada, ficou claro que ela é realmente a culpada pelo mau desempenho dos ataques.
Faz anos que os goleiros reclamam das novas bolas lançadas a cada temporada, dizendo que elas são feitas para beneficiar os atacantes porque fazem efeitos demais. Ironicamente, agora é diferente: a bola está prejudicando os ataques.
Mesmo respeitando os padrões da FIFA, a Jabulani é de algum modo mais leve e ligeira do que a que os jogadores costumam usar. Assim, em todos os jogos são incontáveis as finalizações para cima do gol e, principalmente, os passes em que as bolas correm demais e saem sem que os atacantes possam alcançá-las.
Os gramados do Mundial são sensacionais, e isso só colabora para acelerar ainda mais a bola.
Todas as seleções estrearam, e foram marcados somente 25 gols, numa média de 1,56 gols por partida. É ridiculamente baixa. A menor média numa Copa foi a da Itália em 1990, com 2,21 gols por partida. Foi considerada tão baixa na época, que motivou o aumento da pontuação dada ao vencedor — passando de 2 para 3 pontos.
E estamos 30% abaixo daquela média!
Isso tem que ter um motivo, e não é a qualidade dos jogadores, nem as táticas. Esperava-se uma Copa com destaques ofensivos como Cristiano Ronaldo, Drogba, Messi, Robinho, além de equipes que atacam bastante, como a Holanda, a Argentina e a Espanha. E de fato vi muitos times tentando atacar, e atacando. Mas as jogadas não acontecem, porque a bola escapa o tempo todo, atrapalhando tanto os ataques quanto os contra-ataques rápidos.
A culpa também não é da “altitude”. A média de gols dos jogos nas cidades acima de 1.000 metros é até um pouco mais alta: 1,67 por jogo. A bola é ruim perto do mar ou longe dele.
A revista Placar pediu para Marcelinho Carioca testar a bola. Ele aprovou. Mas no vídeo da matéria eu só o vi chutando a bola paradinha no chão. Em condições de jogo é outra coisa. A bola é imprevisível e se mexe muito. O jogador pensa em pegar nela de um jeito, e acaba pegando de outro. (Veja os links no final.)
O blá-blá-blá de comentaristas como o Falcão, que diz que “jogadores de qualidade têm que se acostumar”, não se sustenta. O período de adaptação é curto, já foram realizados 25% dos jogos da Copa. Além disso, a adaptação necessariamente levaria a uma mudança de tipo de jogo, ou seja, as equipes teriam de fazer algo diferente daquilo que treinaram. Em consequência, cai o desempenho.
Tenho certeza de que a FIFA e a Adidas estão preocupadas com isso neste momento. Não conseguirão fabricar outra bola a tempo. E as Jabulanis da Copa já estão fabricadas e personalizadas.
O que fazer?
Agora é tarde. Trocar a bola por outra mais antiga não vai ocorrer. O que espero é que parem de palhaçada com as bolas de futebol. Quer vender? Muda o nome, muda a estampa, muda as cores. Mas não as características.
LINKS
Eriksson pede debate sobre 'Jabulani'
"Jabulani", a bola do Mundial, é mais difícil de controlar, afirma estudo
Jabulani ou como a FIFA arruinou o Mundial...
Notícias, notícias e notícias…
Os jornalistas são importantes.
E sua imbecilidade vai acabar estragando o mundo.
São importantes porque, de um modo ou de outro, movem a opinião pública. São holofotes que clareiam aquilo que as pessoas olharão.
Porém estão aprisionados na imbecilidade do “gancho”.
Gancho é assim: se um gênio lá do interiorzão faz uma pintura, não é notícia. Primeiro, porque jornalista não entende nada de arte. Segundo, porque não tem gancho. Mas se uma celebridade faz uma tatuagem, tem gancho e vira capa.
Jornalista não descobre mais nada. Fica sentado esperando press-release por e-mail. Se fosse hoje, o festival de Woodstock não existiria sem press-release. Ficaríamos sem notícia até da destruição de Hiroshima, se não encaminhassem um press-bomb-release para os jornalistas.
Como tem 1.000 pessoas querendo virar notícia, o jornalista então recebe 1.000 press-releases. Do alto de sua sabedoria, deve escolher o que vai e o que não vai virar notícia.
Como faz? Pensa no gancho.
Há 6 anos, minha peça “O canto de Gregório” virou notícia. Porque era boa? Nem de longe. Talvez fosse boa ou mesmo ótima, mas virou notícia porque o press-release partiu do Sesc e o diretor do espetáculo era Antunes Filho. E Antunes Filho é uma celebridade. Podem dizer que é merecido – mas é celebridade.
E por que o Antunes é celebridade? Porque começou a fazer teatro quando não havia TV no Brasil. Porque foi aclamado como diretor quando havia uma crítica teatral sólida no país. Porque dirigiu para a TV nos anos 70. Porque n celebridades da TV “começaram com Antunes Filho”. E, enfim, porque ganhou prêmios.
Não sabendo de nada, os jornalistas se prendem a prêmios. O melhor cientista. O que o jornalista entende de ciência? O Nobel de Economia, o Nobel de Medicina: o que o jornalista entende dessas coisas? Pra isso existem os prêmios: prêmios são maquininhas de fazer gancho.
O produtor de minha próxima peça vive me apresentando como “indicado ao prêmio Shell”. Está certo, o que ele vai falar? Do meu estilo? Das minhas ideias?
Por acaso “o cara que pensa isso e aquilo” é gancho que preste?
Pode até ser: se forem ideias extremistas e inconfundíveis. Por exemplo, um cara que grite clamando pela introdução da pena da morte. É preciso ter uma bandeira. A bandeira é o gancho.
Pensamento não é gancho. O raciocínio e a exposição de argumentos não são gancho.
A técnica do artista não é gancho. O faturamento da bilheteria do cinema, este sim é gancho.
Espero que os bons jornalistas me perdoem por este libelo enfático.
E espero que os novos jornalistas não se inspirem naquele cara que enterrou sua rica história de jornalismo cultural para tornar-se gigolô de celebbbridades.
E espero ainda que não me perguntem qual é o gancho para eu ter escrito este tópico.
Leia também esta surreal história de um escritor sugerindo matéria para um jornalista.
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