sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O pateta patético

Tenho a impressão de que algumas pessoas confundem pateta com patético. Por isso crio este breve post de utilidade pública.

É preciso, antes de mais nada, perdoar os confusos. Numa língua em que formamos a palavra mítico a partir de mito, por que não poderíamos formar patético a partir de pateta, com a mesma derivação por sufixação?

Acontece que essas palavras na verdade não são irmãs, nem primas, nem cunhadas. São parecidas por coincidência e seus significados são consideravelmente distintos.

Patético vem do latim patheticus, originado a partir de pathos, do grego. É aquilo que produz emoção, inspira piedade. Em um filme, um personagem patético não é engraçado nem bobo: ele faz termos pena de sua pobre condição.

Pateta parece ter vindo de pato. É o bobo ou estúpido — como aquele personagem da Disney, que não quis dar um livro de presente ao Mickey, dizendo: "Ele já tem um".

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Uma tarde em 2010 — alegria alegria!

uma noite em 67

Tarde de terça, sessão de gatos pingados. Mas com um filme vibrante, intenso e muito, muito inteligente.

Primeira coisa a aplaudir: as imagens mostram as apresentações completas. Você pode saborear com calma, numa sensação de tempo real, sem videoclipagens, interpolações ou qualquer outro bicho.

Também a aplaudir: o roteiro passeia com suavidade de um assunto a outro, de uma canção a outra, de uma entrevista a outra (as da época e as recente), sem solavancos. É simplesmente delicioso.

Mais aplausos: a seleção de falas dos entrevistados, que vão do anedótico ao profundo ao revelador, com muito equilíbrio.

E quando você começa a querer pensar que “aqueles tempos é que eram bons”, suas personagens, uma a uma, vêm lhe dizer que não, não têm saudades daquilo tudo.

Afinal, se um tempo é de fervor, de ativismo, de engajamento, muitas vezes isso se deve a uma condição geral cruel, que precisa ser combatida.

Para mim, que em 67 ainda estava a 5 anos de nascer, é mais fácil sentir a nostalgia do não vivido. Hoje os tempos são outros. Provavelmente melhores!

Existe muita coisa interessante por aí, belas experiências culturais e artísticas para vivermos. A diferença é que isso não passa mais na TV. Então parece que não existe.

Uma noite em 67, filme brilhante de Renato Terra e Ricardo Calil, vale ser visto e revisto muitas vezes. Já estou esperando pelo DVD, tomara que tenha muitos extras! Por exemplo: imagens de Elis Regina interpretando “O cantador”.

E agora vou terminando, que já estou atrasado para uma passeata contra a guitarra elétrica. Até mais!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Desconotações - 1

Todo dia 6, começando hoje, uma desconotação fresquinha.

objeto_chave

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Homem se mata após receber coração de suicida

Eu estou perfeitamente preparado para não acreditar nesta história.

A notícia é um pouco antiga (mais de 2 anos), mas o link ainda funciona.

Está bem: eu acredito, sim.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Samba na Augusta: Dona Ivone Lara

Dona_Ivone_Lara com DNA do samba

Na semana passada – 4 de julho – fui ao Comitê Club, na rua Augusta, e assisti a uma apresentação de Dona Ivone Lara.

Sinceramente não esperava que ainda veria ao vivo essa ótima compositora. Ela tem 89 anos. E foi bem aqui perto de casa, no centro do Túmulo do Samba.

Distraído ou inculto, eu achava que era uma de suas últimas gravações o mp3 que tenho aqui comigo, em que ela interpreta Alguém me avisou com Caetano Veloso em um show de uns 20 anos atrás.

Mas pelo jeito ela está por aí: entra no palco com o corpo frágil, auxiliada pelo pessoal do DNA do Samba, ajeita-se numa poltrona de onde cantará todas as músicas, e então interpreta com firmeza suas canções mais conhecidas.

Agradeço muito à amiga Valentina, italiana já cheia de samba, pelo convite para seu aniversário, comemorado nessa casa.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Brasil 2014

brasil-2014 Em 2006, a França jogou melhor e mereceu ganhar do Brasil.

Infelizmente, em 2010, acredito que a Holanda não fez de fato um jogo melhor. Escapou por pouco de o Brasil ter liquidado no 1.o tempo, contou com uma falha incrível para empatar — e apoiou-se no nervosismo que essa falha provocou no Brasil.

Ao longo de 3 anos e meio, Dunga fez um ótimo trabalho, ganhando a Copa América, a Copa das Confederações e as Eliminatórias. Esses feitos costumam parecer sem importância em contraste com uma derrota na Copa do Mundo, mas lembremos que Pelé e toda a sua geração nunca conquistou uma Copa América.

Não adianta ficar com “explicacionismo”, porque o Brasil bem poderia ter vencido o jogo. E vinha tendo um desempenho bom na competição.

Mas desde o princípio estranhei o nervosismo e a irritação do time. Nos primeiros minutos já era possível ver Robinho bufando pra lá e pra cá. Isso numa Copa em que Kaká já havia perdido a cabeça. Michel Bastos ficou perto do vermelho, que saiu para Felipe Melo.

Seria um reflexo da postura de seu treinador?

O que me parece é que 2006-2010 foram Copas do “8 ou 80” para o Brasil. Com Parreira, era o oba-oba do “quarteto mágico”, o bacanal da imprensa na concentração, todos felizes — até vir o desempenho pífio, em especial de Ronaldinho Gaúcho, e a eliminação.

Aí entrou Dunga para fazer “tudo diferente”. Foi do 8 para o 80, ou vice-versa. Time de mais marcação, guerra total contra a imprensa, festival de carrancas. Sempre muito eficiente, mas que na hora do aperto não teve o jogo de cintura para suportar o próprio erro. Entrou numa loucura da autocrítica.

Em 2014, sediando a Copa, terá um grande peso, a grande obrigação de ganhar: depois de 2 fracassos seguidos, jogando em casa, onde perdeu em 1950 — única dentre as campeãs que não tem um título atuando no seu próprio país.

Espero que seja uma seleção mais equilibrada. No futebol e na cabeça.

Dunga errou?

Todos cometem erros. O campeão de 2010 será um treinador que cometeu erros.

Mas o erro de Dunga — que poderia ter passado em branco, mas acabou sendo crítico — foi a ausência de pelo menos mais um jogador habilidoso para o meio de campo.

Ele estava certíssimo ao defender sua convocação, dizendo que tinha chamado jogadores vitoriosos, que cumpriram seu papel quando foram chamados, agarraram a chance.

Por uma infelicidade, Ronaldinho Gaúcho foi um dos jogadores que não agarraram essa chance inicialmente. Porém ele se recuperou e já estava jogando muito bem pelo clube fazia um tempo. Excelente jogador, experiente, com a vantagem de ter sido um grande nome da conquista de 2002 e uma grande decepção em 2006. Como o Ronaldo da Copa Japão/Coreia, poderia entrar com fome de se redimir.

Não, não era Ganso, nem Neymar. Era o Ronaldinho Gaúcho que poderia ter estourado nesta Copa.

Mas não aconteceu.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Dunga x Globo


Logo após o pronunciamento oficial da Globo - repetido ipsis litteris no SporTV - o Twitter foi invadido por uma enxurrada de "Cala boca Tadeu Schmidt", que foi o locutor anti-Dunga no Fantástico. Claro que gente do Twitter não representa o povo inteiro, mas já dá pra ver que nem todos estão do lado da Globo.

Dunga é antipático? Pode ser. Tem jornalista o criticando por certo "revanchismo". Dizem que até ao pôr a mão na taça, em 94, ele mais xingou os críticos do que comemorou positivamente. Mas será que é revanchismo simplesmente?

Pra mim, não. Dunga tem mesmo um trabalho coerente, como ele gosta de dizer. E jornalismo esportivo é o que existe de mais incoerente.

Um que denuncia isso é o Tostão. Na última vez que li, Tostão lembrou a cabeçada na trave do Santo André, no último minuto da decisão do Paulista. Segundo ele, se aquela bola entrasse - e não entrou por um mínimo detalhe -, todos estariam dizendo que o técnico do Santos foi frouxo ao deixar o Ganso em campo, que o Ganso foi irresponsável, e os pedidos para que ele e Neymar fossem convocados praticamente desapareceriam. Como discordar?

Quando, depois do jogo contra a Coreia do Norte, jornalistas elogiaram Robinho, Dunga ironizou: "um ano atrás vocês diziam que o Robinho não servia, agora ele é o melhor?". Crítica perfeita.

Anos atrás, quando surgiu a geração anterior dos "Meninos da Vila", com o próprio Robinho, Elano era um dos destaques. Depois ficou meio em baixa na carreira, mas foi chamado por Dunga e sempre foi bem. Mesmo assim, tinha gente até torcendo pra ele se machucar. Tinha gente que queria cortar Elano para pôr a aposta Ganso.

Mas o que vimos em 2 jogos? Um Elano muito eficiente, um grande nome para o time: desarma muito, passa bem, bate as bolas paradas - e ainda marcou 2 gols dignos de bons atacantes, fugindo da marcação antecipando em velocidade para finalizar com precisão. O que mais precisa?

E o Dunga inventou o Elano? Não. Ele já havia marcado gols contra Argentina, Itália e Portugal. Por que os jornalistas não informam?

O jornalismo esportivo é preguiçoso e incompetente. É só lugar-comum que a gente ouve.

Neste episódio, Dunga sussurrou "palavrões" que na hora eu nem entendi. A Globo é que amplificou. E está criticando Dunga como se ele tivesse feito uma ofensa direta.

Imprensa critica. Mas não aceita críticas?

Para terminar, digo com coerência: Dunga está fazendo um excelente trabalho, que não deixará de ser excelente caso a taça não venha para nós. Ou será que cada campeonato só tem um técnico bom - aquele que foi campeão?